3 principais fatores que influenciaram o mercado de soja internacional nas últimas semanas

Mercados não param em Chicago e coluna volta a ser publicada com uma pequena atualização sobre o que aconteceu nas últimas duas semanas.

1. Ritmo da demanda – o ritmo de demanda chinesa no início do ano comercial Norte Americano continua fortíssimo. Apesar de ainda ser muito cedo para chegar em qualquer tipo de conclusão sobre o possível total anual de demanda por soja neste próximo ano, o ritmo atual atrai a atenção de participantes, que cogitam um aumento nas estimativas de vendas Norte Americanas e consequentemente redução de estoques. Mesmo que tal “redução” de estoques aconteça, ainda temos estoques Norte Americanos e Globais próximos à níveis historicamente altos, o que não muda o cenário de preços para o médio e longo prazo. Mas mesmo assim, participantes reagem à tais possíveis mudanças e a incerteza sobre os números de demanda e sustentam preços na bolsa de Chicago no curto prazo.

2. Macroeconomia e petróleo – do outro lado da moeda, a situação atual da macroeconomia global não é favorável e traz preocupações quanto ao ritmo de crescimento e consequentemente, ritmo de demanda global por várias commodities. A commodity mais afetada por tais expectativas nas últimas semanas é o petróleo. O preço do barril de petróleo atingiu esta semana o menor nível desde 2009, e parece que ainda tem espaço para baixo. A correlação histórica entre preços de petróleo e commodities agrícolas, apesar de não tão boa quanto já chegou a ser, traz cautela à players financeiros e especuladores, que compreendem que o momento atual é de cautela para preços de commodities em geral.

3. Dólar – divisa norte-americana continua sua alta ao redor do mundo. No Brasil, tal alta é exacerbada pela incerteza de investidores locais e internacionais quanto à economia do país e leva o dólar ao seu nível mais alto em praticamente 10 anos. Lembrando que no médio e longo prazo, enquanto um dólar forte favorece exportações de países que produzem em moedas locais mas exportam em dólares, tal movimento de força diminui a competitividade de produtos Norte Americanos no mercado global.

Participantes do mercado agrícola prestam muito mais atenção no lado demanda do que na possibilidade de dados de oferta ainda maiores do que os já recordes atuais. Tal cenário apresenta excelente oportunidade para produtores ao redor do mundo, que contam com preços altos relativos aos fundamentos e também um dólar em alta histórica.

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