Atenção para novo patamar de preços na soja em Chicago

O fechamento semanal abaixo de $10 nos contratos de soja na semana passada apresenta o primeiro forte desafio à resiliência do patamar de preços que vem dominando o mercado desde meados de Outubro. A área entre $9,90 e $9,83 representava bom suporte às cotações até esta manhã. Mas o anúncio de novo cancelamento de carregamento de soja norte-americana para a China esta manhã fez com que preços rompessem tal área de forte suporte. Um fechamento abaixo dos $9,83 definirá um novo canal de oscilação para preços até que o foco do mercado faça a transição para o plantio da nova safra Americana. Este novo patamar pode ter piso nas baixas de Outubro próximo à $9 e em contrapartida, o novo teto seria a área de $10,20 dentro de condições relativamente normais de clima na América do Sul.

Caso o mercado consiga ter forte rebote acima de $10,20, a atenção de especuladores se voltará para o lado da compra, possibilitando uma retomada maior nos preços. Mas dentro do cenário atual é difícil pensar em um motivo para tal puxada que seja diretamente relacionado aos fundamentos de oferta x demanda. Até motivos externos como o dólar forte, preços de outras commodities sob contínua pressão e deflação nas economias desenvolvidas não justificariam tal movimento. Parece que a expectativa quanto ao relatório de Janeiro era mesmo o “gancho” que mantinha preços à níveis mais elevados.

Com o relatório de Janeiro e dados de esmagamento de soja Americana agora no passado, o resto do mês de Janeiro não apresenta dados estatísticos mais relevantes que venham a “dominar o mercado”. Os dados de exportações semanais de soja Americana continuarão sendo acompanhados, mas o mercado parece compreender que a relevância destes próprios dados é bem menor agora, com a China já iniciando sua transição de compras de soja para a América do Sul.

Dentro deste novo quadro técnico e com clima apontando para boas e abrangentes chuvas nas próximas duas semanas no Brasil, tentativas de altas até o início da época de plantio nos EUA (Março/Abril) devem ser encaradas como excelentes oportunidades de trava para o produtor mundial.

Fonte: Globo Rural

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