Entenda por que não chove nas regiões Sudeste e Centro-Oeste no inverno

Muitos produtores e o setor de pecuária ainda amargam a falta de chuvas ao longo dos meses do verão em boa parte do Sudeste do Brasil. A estação foi atípica, de acordo com a climatologia da região. No entanto, não chover nos meses de inverno é um fator comum para o Centro-Oeste e o Sudeste do país. A explicação está na formação dos bloqueios atmosféricos sobre a parte central do Brasil.

– Nesta época do ano, uma massa de ar seco, que atua no oceano, chamada de alta subtropical do Atlântico, avança para o continente, fazendo com que os sistemas frontais sejam deslocados para o mar – explica a meteorologista da Somar, Olívia Nunes.

De acordo com ela, essa área de alta pressão que empurra as instabilidades age principalmente entre o Sudeste e o Centro-Oeste. O Sul do país chega a receber chuva, mas as frentes frias não têm força para “furar” essa massa de ar mais seco, então chove na borda da massa, mas não chove no centro do Brasil.

– No Hemisfério Sul, os sistemas de alta pressão giram no sentido anti-horário, então as frentes que avançam pelo Sul são jogadas para o mar, em vez de subirem pelo caminho natural até outras regiões – completa Olívia.

Além disso, neste ano, as frentes frias do Sul estão sendo reforçadas pelas águas mais quentes dos dois oceanos, o Atlântico e o Pacífico. O aquecimento do segundo vai dar origem ao fenômeno El Niño.

– O oceano Pacífico mais quente faz com que a corrente de jato seja alterada, e isso leva mais chuva para o Sul. Já o Atlântico age de uma forma mais local, dando um suporte maior de umidade – finaliza a meteorologista.

Por conta desses fatores é que o desenvolvimento do milho do Sudeste ficou comprometido por causa da seca, e no Sul é exatamente o contrário: o excesso de umidade piora a qualidade das lavouras. Somente o trigo que foi plantado no norte do Paraná não foi prejudicado, já que nesta faixa do Estado as chuvas não foram muito volumosas, diferente do que aconteceu na parte central e oeste do Paraná que chegou a recebeu 400 milímetros acumulados em um único fim de semana de junho.

Fonte: Canal Rural

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