Exportação de soja resiste à queda de preços

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elevou suas estimativas para o volume e a receita das exportações brasileiras de soja em grão em 2014, em boa medida graças ao forte ritmo das importações chinesas – que tende a perder força, mas superou as expectativas no mês passado.

Nas novas projeções que divulgou ontem, a entidade passou a projetar os embarques da matéria-prima em 45 milhões de toneladas, 1 milhão a mais do que previa no início de julho e volume 5,2% superior ao de 2013 (42,796 milhões). Se confirmado, será um novo recorde.

Por conta desse aumento, a receita proveniente dessas vendas foi redimensionada para US$ 22,5 bilhões, um aumento de US$ 500 milhões sobre o cálculo de julho. Na comparação com o resultado recorde do ano passado (US$ 22,812 bilhões), entretanto, ainda há queda de 1,4%. Isso em virtude de uma previsão de queda do preço médio de US$ 533 para US$ 500 por tonelada.

Como manteve sua estimativa para a colheita do grão no país na safra 2013/14 em 86,5 milhões de toneladas, 6% mais que em 2012/13 – e também um novo recorde -, a entidade reduziu sua projeção para o processamento em 2014 em 200 mil toneladas, para 36,8 milhões, e baixou sua expectativa para os estoques finais em 400 mil toneladas, para 3,932 milhões. Mesmo assim, tanto processamento quanto estoques tendem a crescer em relação a 2013 – 1,6% e 133,8%, respectivamente.

A redução da projeção do volume a ser processado gerou quedas nas previsões para a produção de farelo e óleo no ano – para 27,9 milhões e 7,1 milhões de toneladas, respectivamente -, mas causou ajustes apenas marginais no cenário traçado para os embarques dos derivados.

Conforme a Abiove, as exportações brasileiras de farelo de soja deverão render US$ 6,030 bilhões em 2014, 11,2% menos que em 2013 (US$ 6,787 bilhões), enquanto as de óleo poderão chegar a US$ 1,131 bilhão, retração de 17,2% em igual comparação. Nos dois casos, o cenário traçado indica queda de preços.

No total, portanto, os embarques do chamado “complexo soja” (inclui grão, farelo e óleo) tendem a somar US$ 29,661 bilhões neste ano, ainda 4,2% menos que o recorde de US$ 30,965 bilhões do ano passado.

Em evento promovido pela Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícola e Veterinários (Andav) ontem em São Paulo, Alexandre Mendonça de Barros, diretor da MB Agro (braço da consultoria MB Associados), disse que a tendência de acomodação das cotações externas da soja – e dos grãos em geral – em patamares mais baixos nesta safra 2014/15 poderá ser ainda mais “agressiva” em consequência da oferta mundial mais confortável.

Mendonça de Barros destacou, ainda, que o ciclo atual será o primeiro de recomposição significativa de oferta mundial depois de muito tempo. “Está cheirando uma safra gigante nos EUA, com clima excelente. E não há nenhum problema mais grave de safra na Ásia ou na Europa”, avaliou ele.

Nas contas da MB Agro, a colheita americana de soja, que começará a ganhar força nas próximas semanas, pode chegar a 103 milhões de toneladas, 16% mais que em 2013/14 e um pouco inferior ao estimado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que trabalha com 104 milhões. De qualquer forma, será a maior safra da história do país.

Com as boas perspectivas que cercam a produção de grãos no Hemisfério Norte, lembrou ele, os fundos passaram a reduzir suas apostas na valorização de soja, milho e trigo na bolsa de Chicago desde maio.

“Em abril, tínhamos cerca de 200 mil contratos comprados em soja. Agora, pela primeira vez em cinco anos, há o registro de posições vendidas, inclusive porque as perspectivas para [a influência do fenômeno El Niño] perderam força. Houve desmanche semelhante no milho e um derretimento também no trigo”, lembrou Mendonça de Barros.

Fonte:Fernando Lopes e Mariana Caetano, Valor Econômico

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