Soja: antecipar a venda ou aguardar o desenrolar das projeções?

As projeções de uma supersafra mundial de soja têm tirado o sono de muitos produtores, que estão indecisos sobre qual estratégia adotar: pré-fixar a venda da próxima safra e garantir determinado preço, ou esperar para ver o desenrolar da historia.

De acordo com a consultoria Safras & Mercados, a temporada 2014/15, deverá ter a maior oferta mundial de soja da história – se o clima colaborar –, com uma produção esperada, nos Estados Unidos, de 103,4 milhões de toneladas e de 94,4 milhões de toneladas no Brasil, volumes que, somados à produção de outros países, como Argentina e Paraguai, poderão elevar a oferta mundial para mais de 300 milhões de toneladas, podendo chegar a 306 milhões. “É claro que esta superprodução depende da variável climática em ambos os países, embora as previsões sejam positivas”, revela Luiz Fernando Gutierrez Roque, da diretoria de produção e consultoria da Safras & Mercados.

Um pequeno alento frente ao possível recorde de produção vem da China. Segundo Gutierrez, tudo indica para um aumento no apetite chinês por soja e outros grãos, com expectativa que as importações chinesas de soja fiquem na casa de 73 milhões de toneladas na temporada 2014/15, o que representaria quatro milhões de toneladas a mais que o volume registrado em 2013/14. “Isso favorecerá as exportações de soja do Brasil, Estados Unidos e Argentina”, aponta.

O reflexo das projeções mundiais já está sendo sentido no mercado. Para Gutierrez, as cotações internas do grão podem sofrer maiores ajustes negativos devido à tendência de queda dos contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT), que já estão refletindo as estimativas da superssafra norte-americana e mundial. “A entrada da safra recorde dos EUA, a partir de outubro, coloca uma pressão sazonal negativa no mercado”, afirma. Apesar disso, segundo ele, a tendência de alta do dólar para os próximos meses e ao longo de 2015, poderá dar certa sustentação às cotações domésticas, impedindo ajustes negativos mais acentuados.

Frente ao cenário que se desenha, o produtor se pergunta: aceitar as propostas de compradores, como cooperativas e cerealistas e vender a produção antecipadamente, ou aguardar o resultado da aposta entre as projeções e o clima?

Na opinião do especialista em mercado de soja da Safras & Mercados, a venda antecipada de parte da produção é sim um bom negócio para o produtor. “Ele consegue garantir uma parte importante de sua remuneração antes mesmo da colheita de sua safra, aproveitando possíveis preços que trazem boa rentabilidade e se protegendo contra possíveis movimentos negativos das cotações”, explica Gutierrez.

Entretanto, qual seria o melhor preço para pré-fixar a venda frente volatilidade de mercado? Neste ponto, Gutierrez comenta que não há um preço geral definido como o melhor para o produtor. “Cada agricultura deve ter seu custo de produção “na ponta do lápis” para poder projetar um patamar que traga uma rentabilidade mínima aceitável. Após o mercado atingir tal patamar, a antecipação das vendas deve começar com uma estratégia pré-definida, o que também é importante para aproveitar as oportunidades de preços que o mercado oferece ao longo de toda a temporada”, orienta.

O percentual da previsão de produção que deve ser comprometido previamente é outro fator que o produtor deve analisar, pois este, segundo Gutierrez, depende muito do cenário de preços projetados para o futuro e do quão capitalizado cada produtor está com os lucros da safra anterior. “Em média, acredito que antes da colheita, o produtor pode negociar, sem culpa, ao menos 20% de projeção de safra. Isso deve trazer maior tranquilidade a ele pela garantia de rentabilidade de parte de sua produção”, diz.

Na temporada 2013/14, por exemplo, 17% da safra brasileira tinha sido vendida antecipadamente até o fim de julho, muito acima da previsão para a safra 2014/15, embora ainda não haja números conclusivos. “Pelo ritmo de negócios registrado nos últimos meses, creio que a venda antecipada da próxima safra chegue a no máximo 10% da produção estimada, tendo como base fim de julho”, revela Gutierrez.

Fonte: Famasul

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