Tabuleiro de xadrez na lavoura

Identificado pelo formato quadriculado das lavouras, o plantio cruzado é uma técnica testada em experiências isoladas no Rio Grande do Sul. Caracterizado pela distribuição mais uniforme das plantas no solo, com o plantio feito em linhas que lembram um tabuleiro de xadrez, o sistema é propagado pela produtividade acima da média. Produtor de soja em Coxilha, no norte do Estado, Gilmar França adotou a técnica pelo quinto ano consecutivo.

– Comecei com o cultivo cruzado em um hectare e nesta safra cheguei a 200 hectares. No próximo ano, quero incluir mais cem hectares para ter 100% da lavoura nesse sistema – conta França.

A motivação vem dos resultados que alcançou na colheita. Em algumas áreas, chegou a 92 sacas por hectare. Porém, o ataque de lagartas e as altas temperaturas neste ano baixaram a média da lavoura para 63 sacas por hectare. Nas áreas de cultivo convencional, colheu 45 sacas por hectare. Os custos maiores de produção com a técnica – mais combustível para repetir a semeadura e maior necessidade de adubo – são compensados pela maior produtividade, segundo França.

O ganho, porém, ainda não é reconhecido por pesquisas científicas. Em experimentos feitos pela Embrapa Soja, por exemplo, não foram verificadas diferenças significativas.

– Em geral, a técnica não teve evolução muito grande. Isso porque os ganhos de produtividade muitas vezes não são suficientes para cobrir os custos – explica o pesquisador Alvadi Balbinot Junior.

Além disso, Balbinot alerta para riscos de aumento da compactação do solo – pela necessidade de as máquinas passarem duas vezes na área durante o plantio.

Detalhe

Em um dos primeiros remates de gado holandês nesta temporada, na Associação Rural de Pelotas, os preços negociados surpreenderam.

O Leilão Pretas e Brancas alcançou faturamento de R$ 520 mil na venda de 45 matrizes da raça – com média de R$ 11,7 mil por animal.

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